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Viúva namoradeira
que o defunto não respeita.
Marcando encontro ela vai
e qualquer cantada ela aceita.
Abrindo o carro ela entra,
mostrando a cama ela deita.
Viúva que não respeita
é viuveira nem sentimento.
O enterro ela acompanha,
assiste o sepultamento.
Já volta do cemitério
procurando casamento.
Quando pega o rendimento
da aposentadoria,
faz plástica, põe silicone,
pinta as unha e se maquia.
Toda noite bota um homem
onde o marido dormia.
Se cobre de fantasia
pra não parecer coroa.
Na frente da casa dela
passa o vendedor à toa.
Gritando pra ela ouvir,
vendo ovo e uva boa.
Não xinga nem se magoa
quando alguém lhe convida.
Na hora que os pais reclamam,
ela diz aborrecida:
"Quem me prendia morreu,
vou aproveitar a vida."
Invés de saia comprida,
veste curta e transparente.
Vê um velho na calçada,
sai rebolando na frente.
Não tem viagra que dê,
não tem pressão que aguente.
Quando arruma um pretendente,
ela dá tudo que tem.
Não lhe falta namorado,
quando um vai, o outro vem.
Que botar chifre em defunto,
nunca fez medo a ninguém.
No cemitério também,
quando vai acender vela,
não botam a flor na cova
que estava o marido dela.
Mas botas óleo nos homens
que estão olhando pra ela.
Quem abrir a bolsa dela
sem querer vai encontrar.
Agenda, preservativo,
comprimidos, NeoVlar,
que ela toma toda noite
para não engravidar.
Todo dia vai ao bar,
toda noite à gafieira.
Quando uma amiga reclama,
ela diz: "Isso é besteira.
Eu não vou perder meu tempo
respeitando uma caveira."
Viúva namoradeira
só quer calça ligadinha.
Só quer vestir mini blusa,
só usa saia curtinha.
Que é pra tirar o sossego
do marido da vizinha.
Acha ruim dormir sozinha,
quer sempre alguém do seu lado.
Quando está fazendo amor
com o novo namorado.
Diz assim você é muito
melhor do que o finado.
Depois do corpo enterrado,
ela muda de sentido.
Ao invés de veste luto
em memória do marido.
Arruma é um gigolô
pra chifrar o falecido.
O seu tempo é dividido
pra namorado e passeio.
Só gosta de andar em ônibus
quando o corredor tá cheio.
Pra esfregar o bumbum
nos homens que estão no meio.
Pra festa, baile e rodeio,
vai com qualquer vagabundo.
Se a alma do defunto ver
o que ela faz no mundo.
Mesmo se estiver no céu,
não tem sossego um segundo.
Depois que deixa o segundo,
do terceiro, corre atrás.
Porque quem não ama os filhos
não quer conselho dos pais.
Depois que cai da gandaia,
nem o cão segura mais.
Eu tenho visto demais
viúva namoradeira.
Saí de casa na sexta,
chega na segunda-feira.
Sem um pingo de vergonha
e sem um tostão na carteira.
Sextilhas humorísticas sobre viúva que não respeita luto do marido falecido, com crítica social disfarçada de comédia
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