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Há tempos eu vinha atrás de um motivo
pra testar seu nível, medir seu talento,
mas estou convicto que neste momento
estou alcançando o meu objetivo.
Não tenho razões pra ser agressivo,
mas também não posso me acomodar.
Eu venho de baixo, sofri pra chegar,
mas fiz alicerce, meu nome cresceu.
Meu dom de poeta superou ao seu,
cantando o galope na beira do mar.
Se não for loucura, você esqueceu
que teve por mestre esse professor.
Você no presente só é cantador
porque no passado foi aluno meu.
Do pão do meu prato você já comeu
e na minha sombra já foi repousar.
Mas por ser covarde resolveu pagar
o que recebeu dessa mão amiga,
cuspindo no prato que encheu a barriga,
nos dez de galope da beira do mar.
Você só servia pra fazer intriga
pra dizer piadas, criticar da gente,
pra ser puxa-saco de cabra valente,
mas corria léguas com medo de briga.
O resto das coisas não queira que eu diga
porque eu não quero lhe prejudicar,
mas acho fraqueza você me cobrar
algumas migalhas de resto de pão,
mas os homens fracos são pobres de ação,
nos dez de galope da beira do mar.
Pra você entrar nessa profissão
faltava viola e roupa que prestasse.
Comprei roupa boa de marca e de classe,
levei a viola, lhe entreguei na mão,
botei num programa, lhe dei projeção,
fiz tudo que pude pra lhe ajudar.
Depois que você pegou decolar,
esqueceu de tudo, começou a ser ruim.
E só abre a boca pra falar de mim,
nos dez de galope da beira do mar.
Mas Deus tá sabendo que não foi assim,
você foi carrasco igual ditador.
Aos principiantes não dava valor
porque não pensava nas horas do fim.
Falava dos outros, zombava de mim,
mas a lei do tempo veio lhe cobrar.
E você agora vai ter que pagar
que o tempo é o monstro que cobra calado.
Não diz quando vem, nem manda recado,
nos dez de galope na beira do mar.
Meu erro maior foi ter confiado
em quem não merece consideração.
Lhe encontrei com fome, lhe ofertei o pão,
na hora da sede deixei saciado.
Depois que fiz tudo, fui ignorado,
às vezes é melhor findar de matar
do que sentir pena, querer ajudar
um falso cordeiro que vira serpente,
que se recupera pra morder a gente,
nos dez de galope da beira do mar.
Não queira ser vítima, fingindo inocente,
você sempre foi o rei da maldade.
Teve a prepotência como identidade,
mas não admite que foi prepotente.
Embora o passado não seja o presente,
mas fica uma dúvida bailando no ar:
será que esse monstro resolveu mudar
e quer redimir-se de tudo que fez?
Ou está querendo fazer outra vez,
nos dez de galope da beira do mar?
Termino pedindo desculpa a vocês
por ter me exaltado mais do que devia.
Nas minhas pronúncias não tem baixaria,
mas fui obrigado a primeira vez.
Por me de talento com esse freguês,
baixei o meu nível pra lhe acompanhar.
Bem que o meu avô cansou de falar
que a árvore sem sombra não serve a ninguém.
Quem teima com burro é burro também,
nos dez de galope da beira do mar.
Galope sobre ingratidão e traição entre mestre e aprendiz, com acusações de deslealdade
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