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Zé Cardoso e Sebastião Silva
Zé Cardoso e Sebastião Silva
São quinhentos anos de descobrimento,
se deve a Cabral por tanta bravura.
Em busca das ilhas partiu à procura
de terra abundante com muito alimento.
Trocando de rota, por causa do vento,
achou Terra Nova, resolveu parar.
Em mil e quinhentos, pudemos lembrar,
dia vinte e dois do mês de abril.
Ganhou Portugal, achando o Brasil,
nos dez de galope na beira do mar.
Na frente do mar da cor de anil,
dia vinte e seis, rezaram uma missa.
Nela frei Henrique falou de justiça
pra o índio robusto de mente infantil.
Depois Pêro Vaz, de forma gentil
narrou uma carta pra poder mandar.
E Gaspar de Lemos teve que levar.
Partiu conduzindo no bolso papel,
levando a notícia para D. Manoel.
Eu digo em galope na beira do mar.
Nem sempre corria o leite e o mel
pra aqueles que vinham com essa intenção.
Foi muito difícil a penetração,
a floresta virgem, o índio cruel.
O maior tesouro para Dom Manel
era o pau-brasil, pegar arrobar.
Pra guarda costeira mandaram Gaspar
no ano de mil quinhentos e três.
E Cristóvão Jacques veio em dezesseis,
eu digo em galope na beira do mar.
Depois amandado do rei português,
surgiu o regime de capitanias.
As hereditárias dando garantias
para o governante ser do interês.
Duarte Coelho, na dele se fez
com gado e com cana, soube trabalhar.
Aí Pernambuco só teve a ganhar.
As demais caíram, cresceu São Vicente,
com Mártir Afonso, que fez igualmente,
eu digo, em galope na beira do mar.
Pra colonizar, chegou muita gente.
Houve no regime mudança total,
com Tomé de Souza governando geral.
Manuel da Nóbrega foi conveniente,
catequizador do índio valente,
criou um bispado para melhorar.
E Caramuru veio auxiliar,
na árdua tarefa do governador.
Além de outras ilhas, fundou Salvador,
e eu digo, galope na beira do mar.
Duarte da Costa foi o sucessor,
chegando ao Brasil, trazendo o que tinha.
José de Anchieta, Dom Pero Sardinha,
pra catequisarem no interior.
Depois Mem de Sá, o governador,
diante os franceses teve que lutar.
Estácio chegou pra colaborar,
mas se uma flechada ele recebeu,
tombando vencido depois que venceu,
eu digo, galope na beira do mar.
Quando o homem de Sá desapareceu,
veio a divisão com um veredito,
norte ficou com Dom Luiz Brito,
Antônio Salema no sul exerceu.
Lourenço da Veiga depois recebeu,
perdeu o mandato saiu do lugar.
Foi quando a Espanha veio governar.
No ano de mil quinhentos e oitenta,
num total de anos, governou sessenta,
eu digo galope na beira do mar.
Brasil tua história também representa
teus negros escravos comprados, vendidos.
O canto dos brancos cobrindo os gemidos
dos índios tombados na guerra sangrenta.
Mais tarde o progresso veio à marcha lenta
nas grandes metrópoles começou a mudar.
Pra frente Brasil, não podes parar,
revelas pra o mundo a tua cultura,
desperta gigante ninguém te segura,
nos dez de galope na beira do mar.
Epopeia histórica narrada em galope à beira mar, percorrendo 500 anos de história do Brasil desde o descobrimento em 1500 até os dias atuais. Aborda a chegada de Cabral, a colonização portuguesa, o sistema de capitanias, os governadores-gerais, o período de domínio espanhol, e finaliza com uma reflexão sobre escravidão, progresso e cultura brasileira.
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